sexta-feira, 23 de março de 2012

Como perder um paciente, e agradecer a DEUS!

Final de ano e um paciente liga querendo um horário "depois do fim do período" pra consertar uma PTS que furou. Eu fiz esta prótese pra ele há 3 anos.
Sem horário de fim de período ele marcou e desmarcou duas vezes e faltou numa terceira. Passou!
Esta semana e ligou novamente e travamos o seguinte diálogo:

"_Dra, fiquei indignado com sua secretária que não entendeu minha urgência.
_Sr, por mais que não pareça eu sou apenas uma, e não consigo atender dois pacientes no mesmo horário.
_Mas era rápido.
_Me desculpe, mas a Dentista aqui sou eu. Eu decido o tempo que preciso. Não faço encaixes pequenos. Preciso de no minimo 1/2h, ela segue minhas orientações, e se era urgente o Sr. deveria ter vindo no horário que eu tinha, que o Sr. acabou marcando mas não compareceu...
_Pois é, eu fui num outro de emergência.
_Ótimo
_É que o "seu" protético deixou muito áspera no céu da boca (por dentro, sabe), e eu fui desgastando até ficar boa, mas daí ela furou...
_Mas a prótese internamente é rugosa, ela reproduz as rugosidades do seu palato. Nessa área o protético realmente não mexe. Só pule. Mas, se incomodava, pq o Sr. não voltou aqui? Se o Sr não me fala, não tenho como saber da sua queixa.
_É que eu sabia que se fosse aí a Sra. não ia desgastar o quanto precisava. E eu teria que ir várias vezes.
_Ok, e no que posso ajudá-lo agora, então???
_É que estou sentindo um gosto ruim na boca. Acho que o outro dentista não usou um material bom no conserto então eu quero que a Sra. refaça o conserto e depois faça uma nova.
_Não, nessa prótese eu não mexo. O Sr. estragou a prótese que eu fiz, um colega já lhe socorreu e agora o Sr, quer que eu mexa novamente? Eu não farei. Se quiser fazer uma nova, faremos, enquanto isso o Sr. fica com essa como está.
_Eu não estraguei não!!
_Estragou sim. Acabou de falar de desgastou por sua conta até ela furar! Meus 23 anos de Odontologia me permitem dizer; ESTRAGOU sim!
_Dra, a Sra está com muito paciente?
_Pacientes bons eu tenho vários sim, e alguns ruins também, mas não me queixo.
_Pq a Sra acabou de perder um.
_Eu tenho pra mim, que tem paciente que quando você perde, você ganha. Boa tarde e com licença que eu tenho mais o que fazer."

Não costumo ser tão grossa, e por vezes, até engulo sapo, mas desta vez NÃO!!!
O cara acha que ajusta a prótese melhor que eu, que a pessoa que o socorreu na emergência usou um material porcaria, que eu tenho que atendê-lo na hora que quer pq meu trabalho era BEM rapinho.
Vai procurar outro.
Desopilei meu fígado.
Desse eu me livrei!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Carnaval no Guapira



Eu tinha 16 anos, e toda a liberdade que meu pai me dava se limitava a chegar em casa no máximo às 23h.
Imagine, se for capaz, o que era então, poder ir a um baile de carnaval que ia das 22 às 4h?
E sem os pais, então?
Na sexta feira anterior tinha o baile pré carnaval, depois as cinco noites (de sexta a terça) e, 40 dias depois, o baile do sábado de aleluia.
Eu comprava o pacote para todas as noites. Uma fortuna!!!
Eram horas maravilhosas.
Guapira é o nome do clube onde passei minha adolescência, no bairro do Jaçanã, aquele mesmo que o Adoniram Barbosa cantou.
Amigos, risadas, namorados, vaquinha pro refri, bebedeiras com 3 latinhas de cerveja e muito folia.
Confeti, serpentina...
A trilha sonora era basicamente as marchinhas que se ouve há 50 anos e alguns hits de época. Hoje provavelmente tocaria Michel Teló. Mas quem estava prestando atenção na música?
A coreografia se limitava a ficarmos girando numa infinita roda, como um carrossel sem fim.
Um beijo roubado, uma passada de mão, um tapa, e a festa seguia.
Ali começavam namoros e outros acabavam.
De vez em quando um mais exaltado era retirado do recinto pelos bruta montes que faziam a segurança.
Levava uma dura. Amargava um "castigo" e logo voltava pro salão.
Dormíamos pouco pra passar o dia na piscina e, na noite seguinte, tudo de novo!
Na quarta feira de cinzas os amores tinham acabado.
Meu horário voltava a ser 23h.
Pelo menos até o sábado de aleluia :)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Vc conhece seus amigos?

Na Odontologia, eu tenho muitos amigos e vou aqui, descrever alguns deles.
Tem o Mineiro/Atleticano que casou com uma catarinense, tem duas filhas, é libriano, adora cerveja e conversa fiada;
Tem a fluminense que torce pelo  Botafogo. Noiva de um engenheiro com casamento marcado pra este ano, adora maquiagem e odontologia estética;
Tem a paranaense que entende tudo de internet, canta, toca violão, tem um lindo filho mestiço e um marido que adora camisa listrada;
A paulista que mora em jabuticabal, adora TV e BBB. Quando não está assistindo Grays ou Junior Master Chef faz periodontia e tem um marido lindo (segundo ela!);
Uma gaucha que adora suas raízes e as conserva. É apaixonada por odontologia sanitária e atende no postinho com o maior prazer do mundo;
Tem a moradora de Bragança Paulista que tem uma filha aborrescente e um namorado motociclista. É minha personal cozinheitor via net;
Tem uma carioca típica, que adora churrasco, carnaval e futebol. Tem habilidade com fórceps e alavancas e uma mãe que eu adoraria conhecer;
Tem um baiano que faz endodontia e que vive entre Salvador e Castro Alves (!). Esse eu invejo;
E apesar de eu duvidar que existisse, ele existe: Um cara que gosta de Odontopediatria. Gosta não, adora. Esse mora lá em Goiânia;
Tem também o capixaba ortodontista que adora uma escola de samba com nome esquisito, mas toca rock no violão;
Além do outro capixaba, periodontista numa clinica onde todo mundo chama Carlos (hehe) e que tem bom gosto pra presentes;
Sem falar na radiologista, a colega que me ensinou que o AP está no horário de Brasilia, a recém formada carioca, o estudante baiano, entre tantos outros.
Tem a sergipana que largou tudo pra seguir um amor (e não é novela), que alem da odontologia tem o dom da confeitaria;
E a "menina" que adora automibilismo, tem blog e tudo,
E o produtor do mais cobiçado premio do Universo, o Top5.
Viu, quantos amigos!!!
Mas por incrível que pareça, eu que sou uma pessoa tão de pele, adoro um abraço, um beijo, na realidade só pude fazer isso com dois desses colegas. 
No proximo dia 28/01, no CIOSP, isso deve ser resolvido.
Parece que não terei o prazer de conhecer a todos pessoalmente, pq a vida tem seus próprios planos, mas, a lista vai diminuir muito. Ebaaaaaa!
Sejam bem vindos! 
São Paulo e EU os aguardamos de braços abertos \0/


UPDATE: A grande maioria já mudou de status de amigo virtual pra real, mas ainda tem gente pra conhecer ano que vem! Há muito tempo meu CIOSP não rendia tanto. 
Obrigada a todos que dividiram este final de janeiro comigo!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cicatriz

Paciente com medo é corriqueiro, e nem sempre eles sabem o porque.
Mas a Solange* sabe.
Quando criança foi chamada pra uma consulta com o dentista da escola (sim, nos anos 70 isso existia!!!).
Na ante sala, com cara de poucos amigos ela aguardava como outros, a sua vez.
Pequenos procedimentos eram executados e a porta do consultório ficava entreaberta.
Lá pelas tantas, a criança que estava sendo atendida moveu o rosto bruscamente, o que fez o dentista machucar o seu rosto com o motorzinho (sic). Sangrou!
A Solange entrou em choque. Fugiu.
O trauma criado foi imenso.
Durante anos ela lutou contra ele.
Como desgraça pouca é bobagem, sofreu uma queda e fraturou os dois ICS.
Endodontia, núcleo coroa e muitos encontros com seu "algoz".
Recentemente eu a conheci pra retratar uma endo num dos Incisivos que agora fraturou sub gengival.
Ela me contou esta passagem e diz que não consegue esquecer a cena, e o pior é imaginar a "cicatriz" que o menino carrega no rosto (?). .
Então eu disse: 
_Cicatriz??? Não meu bem, o menino deve ter tido um pequeno arranhão. Você viu o sangue e, naquela idade, aquilo lhe pareceu horrível. Uma broca de alta rotação não tem o poder de fazer um corte da magnitude que vc está imaginando. O choro do menino e o sangue foram superdimensionados na sua mente.
Tenho certeza que ele ficou com um arranhão que uma semana ou dez dias depois, tratado com um pouco de  Nebacetin® sumiu!
Então, ela visivelmente aliviada disse:
_Ah, se tivessem me explicado assim, em algum momento desses anos todos! Obrigada, me sinto mais aliviada agora!
Pois é, anos de medo, e uma frase de menos de 70 palavras resolveu tudo.
Não sei até que ponto minha explanação foi realmente capaz de aliviar sua mente, mas acredito ter contribuído muito pra que ela enfrente, doravante, sem medo, nós, os dentistas.
Por mais esforço que os terapeutas tenham empenhado para acalmá-la por todos estes anos, nem eles realmente entendem o que aconteceu, naquele dia, há mais de 35 anos numa ante sala do dentista da escola.
Entender o problema, é uma porcentagem enorme da sua solução.

sábado, 12 de novembro de 2011

O Bom Dentista

Quando estava na faculdade, numa das clinicas de Periodontia, nosso orientador contou o caso de um paciente que elogiava seu dentista, que durante anos tratou seus dentes.
Tudo que o tal colega fazia ficava ótimo.
Canal, Restaurações, Coroas, PPR, etc.
Naquela conversa o elogio era para a dentadura que tinha acabado de fazer com o tal colega.
"_Tirei todos os dentes e pus essa imediata que está show. Bonita, não machuca, não cai..."
O professor contou este caso para exemplificar um caso de colega que não dava atenção a Periodontia.
Para ele, um bom profissional, nunca teria um paciente necessitando de Prótese Total. Anos de relação deveriam ser suficiente para que o paciente mantivesse os dentes na boca. Pelo menos a maioria.
Anos tratando o paciente e não conseguiu controlar a doença que acabou por levá-lo a Protese Total.
Sempre tive isso em mente, e a despeito da sentença de obrigação de resultado proferida contra um ortodontista recentemente, sabemos que nem sempre o nosso melhor tem o melhor resultado. O paciente tem sua "enorme" parcela no resultado final.
Hoje, quase vinte e um anos depois da formatura, reavaliei a colocação do professor.
Desde recém, formada, atendo uma querida amiga de infância.
Diabética desde os vinte e poucos anos, dependente de insulina e nada disciplinada.
Restaurações, Endodontias, Tartarectomias foram muitas.
A doença periodontal apareceu e se agravou.
Fraturas e estética comprometida levaram a necessidade de Proteses individuais.
Outras fraturas, avanço da periodontite culminaram em coroas torais em todos os elemento superiores.
A indisciplina continuou.
Indiquei tratamento periodontal, mas, infelizmente, ela foi a uma colega do folheto da Bradesco Dental, e quando voltou... Nem é bom lembrar! Como Clinica Geral, faria MUITO melhor (não estou generalizando nada, heim!).
Há alguns anos venho tentando manter os elementos em boca da melhor maneira possível, mas fui vencida!
Hoje nós agendamos as Exodontias seriadas e a colocação de uma Prótese Total Imediata.
Devo dizer que estou dividida entre a tristeza e a alegria.
Alegria porque acredito que com a PT minha querida amiga poderá recuperar a capacidade de mastigação e a estética.
Tristeza porque gostaria de ter tido um outro desfecho para essa história.
Fiz tudo o que pude. Tudo o que estava ao meu alcance, mas, não consegui motivar sua disciplina.
Espero que ela tenha essa consciência e possa elogiar minha PT também .

UPDATE: No dia 16/12/2011 fizemos as exo e a adaptação da imediata. Já ajustei 4 vezes e agora ela parece mais adaptada a nova realidade.
Eu ainda trabalho isso na minha cabeça!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ainda sobre a invasão da USP

É provável que pouca gente leia este texto, mas preciso externar.
Alguns colegas o farão, espero!
A arruaça promovida por este bando de " idores de escola", sim, porque pra mim, ir na faculdade,não é estudar, é  algo absurdo.
Como alguém acredita, que a lei é mais lei pra uns que para outros?
Ser dependente de drogas é uma doença, mas isso não faz, com que seu uso deixe de ser crime.
Se isso já não bastasse, o fulano acha que pode invadir e depredar um prédio publico em nome da "sua" liberdade.
O estado hoje, teve que desviar 400 homens do efetivo policial, para fazer a reintegração de posse da USP.
Seres, espécie de humanos, que chamam a manutenção da ordem e o resgate do bem publico de "repressão"?
Em que mundo eles vivem? Em que país? Em que época?
Coitados, foram colocados em salas escuras, empurrados, sofreram violência. Devemos lembrá-los que eles iniciaram a violência.
Eu, de minha parte, quero que paguem por cada mesa e computador quebrado. Parte daquilo foi custeado com meus, nossos impostos.
Gostaria de saber a visão deles, se tivessem seu carro fosse roubado, ou sua irmã fosse atacada, aí a polícia poderia fazer seu trabalho? Aí não seria repressão?
Cada policial daquele estava só tentando fazer o seu trabalho.
Aos pais desses "meninos e meninas" deixo a minha visão:
"Quando o papai/mamãe não dão limites, a polícia tem que dar!"

domingo, 6 de novembro de 2011

Boliviano nascido no Brasil.

Não posso reclamar da recepção que tive na Espanha, terra do pai do meu marido. Eu não.
No entanto frequentemente tomamos conhecimento do impedimento da entrada de brasileiros em terras espanholas e em outros países da Europa.
Assolados em crise financeira, esses países, tentam com essas medidas impedir que os estrangeiros fixem residência por lá e com isso tomem, dos nativos, postos de trabalho.
Em alguns casos a atuação dos agentes de imigração chega a  causar constrangimentos aos "turistas", que sofrem discriminação e até tortura psicológica.
Por vezes ficam em salas incomunicáveis, sem comer, até serem "deportados".
Por quê aqui, então, o governo é tão permissivo?
Antes que gritem, sou descendente de italianos e sei da contribuição imensurável que estes, os portugueses, espanhóis, alemães e etc. deram para a formação e desenvolvimento do nosso país.
O foco da minha revolta, neste momento, são os bolivianos.
De novo: Não estou generalizando.
Moro na Zona Nordeste da Capital Paulistana. Bairro de classe média baixa.
Já há alguns anos que sofremos com a "ïnvasão" dos dissidentes de Evo Morales.
Durante a semana eles passam amontoados em casas fechadas e úmidas.
Vivem com medo de abrir a janela e serem descobertos pela imigração.
A imigração não entra, mas o sol também não.
Enchem os postos de saúde com problemas respiratórios, e invariavelmente dão endereço errado.
Rapidamente têm filhos, e os registram. Assim sentem-se mais seguros.
Trabalham na sua grande maioria em oficinas de costura, montando peças e ganhando centavos por cada peça. Quase trabalho escravo.
Se revezam em turnos, de forma que as máquinas nunca param.
Assim que conseguem alguma "estabilidade" mandam buscar outros.
Quando não são trazidos por "gerentes" de oficinas já pensando na mão de obra barata. Não reclamam da situação. Têm medo.
Nos finais de semana é que se fazem vistos. Aparecem em grupos e pequenas familias. Tem sempre uma criança "brasivoliana" .
É neste ponto que me pego.
São muitos e ilegais. Entram simplesmente atravessando a fronteira.
Ocupam postos de trabalho de brasileiros e sobrecarregam o sistema de saúde, sem contribuir com um centavo para isso.
Não acho que devam ser discriminados ou enxotados, mas sim termos uma política de limitação de entrada, ou maior fiscalização das fronteiras.
Sinto que tenham más condições em sua terra natal, mas quando os brasileiros, assim pensam, e procuram melhores condições, em situação de ilegalidade em outros países, são deportados quando descobertos.
Desejo apenas que as autoridades imigratórias brasileiras revejam suas ações e protejam os empregos e o serviço de saúde do nosso povo.